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A kind of magic

Textos sobre tudo e sobre nada. No fundo, uma plataforma para reclamar da vida e dos erros ortográficos das pessoas, senão não seria uma aluna de letras.

A kind of magic

Textos sobre tudo e sobre nada. No fundo, uma plataforma para reclamar da vida e dos erros ortográficos das pessoas, senão não seria uma aluna de letras.

26
Dez21

A melhor pessoa do mundo

B.

   Gostava de escrever algo sobre a minha pessoa, mas não sei por onde começar. Faltam-me as palavras para descrever o que sinto por ela e o que significa para mim - não por ser pouco ou insignificante, mas por ser exatamente o contrário. Apenas posso dizer afincadamente que é a melhor pessoa que conheço e que, por vezes, não sei a sorte que tenho. Todos sabemos que há poucas "melhores pessoas" no mundo, por isso ter a felicidade de encontrar uma é uma bênção. Penso que o impacto da minha pessoa na vida é como uma bola de fogo que cai no mar: um fenómeno raro, intenso e luminoso que nunca se afunda, mas que se incorpora na água. Mas adiante: a minha pessoa tem uma avó no espírito por saber perdoar e por-se no lugar do outro, mas também tem um irmão na personalidade por estar sempre onde é preciso.É como se tivesse sido desenhado ao pormenor e nada tivesse falhado. 

   Este Natal não sabia o que lhe dar nem como retribuir o que ela tem feito por mim, mas queria dizer que ela me dá sempre a melhor prenda do mundo: partilhar a vida ao lado de alguém que nos ensina tanto é um presente que eu precisava e não sabia.

 

 

 

Acho que era a isto que se referiam quando falavam em amor e eu insistia em não acreditar: afinal ele existe e está tão vivo dentro de mim que eu já não sei viver sem amar a melhor pessoa do mundo.

05
Nov21

A escola do livro

B.

   Enquanto assisto a uma aula sobre os best-sellers da atualidade, penso no quão importante são os livros na sociedade. Já pararam para pensar que, sem os livros, não existia desenvolvimento? Teríamos que começar de novo vezes sem conta. Já imaginaram o que seria ter de descobrir a aspirina outra vez, outra vez e outra vez? Foi através dos livros que os nossos cientistas registaram os seus avanços, as suas descobertas e, até mesmo, os seus erros. Sem os livros, não saberíamos quem foi Einstein, Homero ou Camões – e pior, não teríamos acesso à história da humanidade. Vamos mais além: para deixar algo registado, as pessoas tiveram que aprender a escrever e na altura (penso eu) não existia ensino. Então nenhum dos génios que conhecemos hoje andou na escola primária, nem teve a oportunidade de se sentar confortavelmente numa sala de aula ou assistir à aula secante de matemática pelo Zoom.

   Ao pegarmos num livro, sabemos (ainda que de forma inconsciente) que alguém trabalhou para que aquele objeto tivesse aquela capa, aquele texto, aquelas imagens, etc., mas não pensamos muito nisso porque estamos perante o produto final - e o que é que importa quem inventou o bolo de chocolate se agora, neste preciso momento, ele é delicioso e eu posso desfrutar dele? Vivemos numa era em que os bens são encarados segundo a sua finalidade e já ninguém faz a pergunta "Como é que chegaram até aqui?" ou "Quando isto não existia, o que é que se utilizava?". O produto que se vende passa pelas mãos de centenas (quiçá milhares) de pessoas e antes destas já foi utilizado, aperfeiçoado e inventado por outras tantas.

   Senhor leitor, serve este pensamento para valorizar o objeto que tem à sua frente: um computador, um livro, uma mesa ou, até mesmo, uma simples folha branca. Somos uma geração que tem o privilégio de utilizar (quase) de forma plena todas as invenções dos nossos antepassados que, como já disse, não aprenderam nada em tutoriais do youtube. Por isso, pensemos no privilégio que temos de ir à escola e na oportunidade de criar grandes génios com os desenvolvimentos que toda a humanidade fez até aqui. Hoje, quando pegarem num objeto, pensem na sua história e nos seus inventores, no que tiveram que estudar sem o Teams e os livros que tiveram de escrever até chegarem ao que vemos hoje.

24
Out21

O segredo da imaginação

B.

   Ao longo dos últimos meses, quando me cruzo com um desconhecido penso na vida dele e na coincidência que é termo-nos cruzado naquele momento. Pode ser no comboio, na passadeira, no supermercado e, até mesmo, num hospital: a verdade é que já não sei observar sem pensar além. O bom e o mau de fazer esta experiência é que nunca sabemos quando estamos perante um grande génio, um criminoso terrível ou, até mesmo, o futuro presidente da república: apenas sabemos que estamos diante de um ser humano.

   Enquanto caminho pela calçada portuguesa que muito orgulho me dá quando não estou de saltos, observo a correria das pessoas e tento adivinhar a sua história. Um grupo de senhores engravatados apressa-se e uma mulher corre atrás deles. Será a secretária de um deles ou apenas uma grande alegoria? Adiante. Tento adivinhar como é que aquela senhora foi ali parar e como é curioso que nos tenhamos encontrado naquele dia, naquele espaço, naquele momento. O mesmo acontece quando vejo um motorista, uma vendedora e, até mesmo, um colega de faculdade que já parece catedrático.

   Às vezes penso como este exercício pode ser interessante e tenho vaidade nisso, mas depois subo para mais um patamar e o sentimento evapora-se. Refiro-me a um hábito que adquiri desde pequena que consiste em inventar diálogos entre pessoas. Acredito piamente que este é o segredo da minha imaginação e criatividade e que todos deviam experimentar pelo menos uma vez.

(mas que é uma ida sem volta)

02
Abr21

Meia palavra basta

B.

 

   Olhando para o abismo branco que o céu representa conseguimos ver, involuntariamente, as profundezas da nossa alma e o enorme vazio que nela se esconde. Ao mesmo tempo que isso acontece, somos obrigados a imaginar o que falta e a perguntarmo-nos o que poderia preencher esse vazio. Demoramos horas a decifrar do que carecemos e a nossa conclusão centra-se numa única palavra: amor.

A verdade é que a nossa consciência é tão frágil que inventa motivos para acreditar nessa utopia acidentada, porque só ele pode enfrentar o abismo, se for tão puro como o olhar de uma criança.

 

março, 2018

 

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